O Aeroclube de Porto Nacional, fundado em 1955, e que já foi reconhecido como o mais atuante de toda Região Norte do Brasil, hoje vê sua história escorrer pelos ralos do abandono e da irresponsabilidade

Posted On Terça, 24 Março 2026 04:03
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A aviação faz parte das principais narrativas históricas que forma o singular compêndio que guarda em suas linhas a extraordinária trajetória  de Porto Nacional na linha do tempo. E esses sentimentos de liberdade pelas estradas entre nuvens ganharam força com a iniciativa do Major Lysias Rodrigues, que construiu um aeródromo na cidade dentro do projeto Rota Tocantins, crucial para a implantação do CAN - Correio Aéreo Nacional, entre Rio de Janeiro e Belém

 

 

Por Edivaldo Rodrigues e Edson Rodrigues

 

 

Com esse pioneirismo implementado por Lysias Rodrigues, que fez o primeiro pouso aéreo em Porto Nacional em 1935, expressivas lideranças portuenses entenderam que seria possível ir além. Assim, Comandante Vicentão, o empresário João Pires Querido, o Padre Rui Rodrigues e o Juiz Feliciano Braga Machado, em 1955 fundaram o Aeroclube de Porto Nacional, que se consolidou como uma instituição histórica para a aviação de toda  região Norte do Brasil.

 

 

No decorrer de décadas o Aeroclube de Porto Nacional formou centenas de pilotos, se consagrado como a mais completa Escola de Aviação de toda região Norte do país na preparação de piloto privado de avião com alcance a (teórico e prático); piloto privado de helicóptero (teórico); piloto comercial de avião (teórico e prático); piloto comercial de helicóptero (teórico) e vôo por instrumentos (teórico).

 

Dessa Escola de Aviação inúmeros pilotos foram formados com louvor e por isso ganharam o mundo para comandar gigantes da aviação, contratados por importantes companhias áreas que rasgam os céus do planeta.

 

Mas tudo isso agora faz parte da história, uma história rica e sonhada por idealistas e que nesse instante escorre desrespeitosamente pelo ralo do abandono, do descaso e da irresponsabilidade de muitos, que reunidos em grupelhos são carimbados com a marca do individualismo tendo o personalismos conveniente como princípio, negando sobretudo o pertencimento da coletividade.

 

 

Em 2001, o então governador Siqueira Campos, reacendeu as esperanças e, num ato de visão desenvolvimentista,  reabriu as atividades do Aeroclube de Porto Nacional, trazendo de volta os sonhos de tantos jovens tocantinenses quanto ao desejo de se formarem aviadores. Desde então, sucessivas diretorias administraram essa histórica instituição, com grande sucesso inicial.

 

Com isso, a Escola de Aviação dinamizou-se, comportando, até mesmo 3 turmas de alunos por ano para a formação, tanto na parte teórica quanto na prática, com 3 aviões à disposição, nos quais os futuros pilotos praticavam os vôos de instrução, além simuladores de voo, atividades sociais e aerodesportivas, o que levou o Aeroclube de Porto Nacional, se transformar numa grande instituição, o que era orgulho de todos. Nesse processo de engrandecimento, foi então eleita uma diretoria que permaneceu por três mandatos consecutivos, até este ano de 2026.

 

 

Por uma série de dificuldades de ordem administrativa, operacional, financeira e outras, sob o comando dessa mesma diretoria, o declínio do Aeroclube de Porto Nacional se cosntatou irremediável, levando o que outrora era uma grande Escola de Aviação, a mais celebrada do Norte de Brasil, a local com sinais evidentes de abandono, de descaso, uma  decrepta situação.

 

O que se observa ali, no que era um imponente hangar, hoje é uma fotografia com aparência de tapera  desleixada, com equipamentos sucateados, marcando com o sentimento de desilusão todos que por lá passa em busca de reviver as glórias ali  vivenciadas.

 

 

Para pincelar ainda mais com as cores do desrespeito para com o Aeroclube de Porto Nacional, nesse mês de março venceu o último mandato da diretoria que comandava a instituição, e assim todos os aviadores da cidade, varias pessoas com ligações históricas com a aviação e até profissionais oriundos da ANAC - Agência Nacional de Aviação   Civil, se encheram de esperanças e alimentaram as expectativas de que um novo momento estava a caminho, com a possibilidades de novos dirigentes, novas atitudes, e algumas portas abertas para o futuro.

 

Aguardaram em vão a comunicação para o início do processo de reformulação que certamente possibilitaria a apresentação de chapas para a eleição durante a Assembleia Geral.

 

 

Entretanto, o que ocorreu foi uma desmedida irresponsabilidade. Segredando informações, esse grupo que tomou para si o que pertence so povo portuense, publicou o Edital de Convocação da Assembleia Geral no Diário Oficial do Estado silenciosamente, e nem um dos interessados em salvar o Aeroclube de Porto Nacional ficou sabendo dos acontecimentos, até mesmo porque ninguém lê o Diário Oficial do Estado diariamente.

 

Com esse processo camuflado foi então eleita uma nova diretoria do Aeroclube de Porto Nacional, votada pelos poucos presentes no momento da Assembléia Geral. A nova diretoria será comandada por um integrante do grupo que sucateou essa histórica instituição, que sempre foi motivo de orgulho do povo portuense.

 

Nós, a Família Paralelo 13, sentimos muito com o derretimento histórico de mais um valorosos equipamento de interesse público que marcou o processo de formação social, política e econômico de Porto Nacional.

 

Nesse caso, faz-se necessário e urgente a atuação de Governo do Estado, da Prefeitura Municipal, da ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil, que certamente está sendo enganada e, principalmente, do Ministério Público, que deve buscar saber o porque de tanta resistência em deixar essa instituição ser gerida por outras pessoas fora do grupo que ora manda, desmanda e persiste na destruição do Aeroclube de Porto Nacional.

 

 

 

Última modificação em Terça, 24 Março 2026 04:13
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