Tocantins 2026: o voto presidencial e a disputa local em um tabuleiro ainda indefinido

Posted On Quinta, 29 Janeiro 2026 06:47
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Por Carlos Braga 

 

As eleições presidenciais de 2022 no Tocantins deixaram marcas que seguem influenciando o debate político e ajudam a compreender o cenário que começa a se desenhar para 2026. No segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva venceu no estado com 434.593 votos válidos, o equivalente a 51,36%, superando Jair Bolsonaro, que somou 411.654 votos, mesmo tendo ampliado sua votação em relação ao primeiro turno.

 

O resultado final, porém, revela uma divisão territorial significativa. Nos quatro maiores colégios eleitorais do estado — Palmas, Araguaína, Gurupi e Porto Nacional — Lula venceu apenas em Porto Nacional. Nas demais grandes cidades, Bolsonaro obteve vantagem. Ainda assim, foi Lula quem venceu no conjunto do estado.

 

O peso dos pequenos municípios

 

A explicação para esse resultado está, sobretudo, fora dos grandes centros urbanos. Dados do TSE mostram que, em diversos municípios de menor porte, a vitória de Lula foi mais elástica do que as vitórias de Bolsonaro nas cidades maiores. Um exemplo emblemático é Santa Rosa do Tocantins, onde Lula alcançou 69,94% dos votos — um dado que chama atenção, especialmente por se tratar de uma região com forte presença do agronegócio.

 

Esse comportamento indica que a polarização clássica entre direita e esquerda se manifestou de forma mais intensa nos grandes centros urbanos. No interior, o voto presidencial assumiu contornos distintos, menos aprisionados ao discurso ideológico e mais ligados à figura de Lula e ao que ele representa para parcelas expressivas do eleitorado.

 

O reflexo direto no cenário de 2026

 

Esse padrão eleitoral ajuda a entender o cenário descrito pelo editorial do Paralelo 13, que aponta um jogo sucessório em plena metamorfose. Alianças seguem sendo costuradas, partidos reorganizam seus comandos e as pré-candidaturas avançam sem definições consolidadas.

 

Três campos políticos começam a ganhar forma. De um lado, Vicentinho Júnior e o candidato que vier a ser apoiado pelo governador Wanderlei Barbosa tendem a disputar o eleitorado mais alinhado à direita, dialogando com o legado político e simbólico associado a Bolsonaro.

 

De outro, surge Laurez Moreira, que desponta como o nome com maior potencial para buscar o eleitorado lulista no Tocantins. É nesse ponto que se concentra um dos principais desafios da eleição de 2026.

 

Lula, Bolsonaro e a transferência de votos

 

A eleição de 2022 demonstrou que o fator Lula tem peso real no Tocantins, especialmente fora dos grandes centros urbanos. No entanto, também deixou claro que esse capital político não se transfere automaticamente para candidaturas locais. Nem mesmo o PT conseguiu, historicamente, converter de forma consistente os votos presidenciais de Lula em vitórias proporcionais para seus próprios candidatos no estado.

 

Para Laurez, portanto, o desafio vai além da associação simbólica. Será necessário demonstrar, de forma concreta, que representa no Tocantins o projeto político, social e institucional que muitos eleitores identificam com Lula. A vinculação precisa ser percebida como real e consistente, não apenas como estratégia de campanha.

 

Ao mesmo tempo, Vicentinho Júnior e o candidato do governador disputam uma mesma fatia do eleitorado, o que pode fragmentar esse campo e abrir espaço para rearranjos ao longo do processo.

 

Um cenário aberto

 

A polarização Lula x Bolsonaro tende a seguir influenciando o debate eleitoral tocantinense, sobretudo nos grandes centros urbanos. No interior, essa polarização permanece, mas de forma menos explícita, funcionando mais como pano de fundo do que como eixo central do voto.

 

O tabuleiro segue em ebulição. Como aponta o Paralelo 13, o tempo, as alianças e a capacidade de leitura do eleitorado serão decisivos. No Tocantins, a eleição raramente se define apenas por rótulos ideológicos ou apoios nacionais, mas pela forma como esses elementos são traduzidos na realidade local.

 

Nada está dado. E, como a história política do estado já demonstrou, quem errar menos tende a chegar mais forte ao momento decisivo.

 

Por Carlos Braga é engenheiro civil 

 

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