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SEGUNDA VAGA PARA O SENADO ESTÁ EMBOLADA

Posted On Quarta, 02 Setembro 2026 09:33
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A eleição para o Senado no Tocantins começa a revelar uma fotografia bastante evidente em um ponto e profundamente indefinida em outro. O senador Eduardo Gomes, candidato à reeleição pelo PL, aparece na liderança dos principais levantamentos divulgados no fim de agosto. Logo abaixo, começa uma verdadeira guerra eleitoral.

 

A segunda vaga está embolada e embolada de verdade.

 

Pesquisa após pesquisa mostra um grupo numeroso de candidatos disputando um eleitorado ainda aberto, numa eleição em que cada tocantinense poderá votar em dois nomes para o Senado. O Real Time Big Data colocou Eduardo Gomes com 26%, Alexandre Guimarães com 18%, Gaguim com 10%, Vanderlei Luxemburgo com 9%, Ronaldo Dimas com 8% e Eli Borges com 7%.

 

 

Na Quaest, Eduardo Gomes apareceu com 14%, Gaguim com 13%, Paulo Mourão com 9% e Alexandre Guimarães com 8%, considerando a soma das respostas para as duas vagas. O mesmo levantamento registrou 24% de indecisos.

 

Já a Paraná Pesquisas mostrou Eduardo Gomes com 35,1%, Alexandre Guimarães com 21,6%, Gaguim com 20,8%, Ronaldo Dimas com 16%, Vanderlei Luxemburgo com 15%, Eli Borges com 14,2% e Paulo Mourão com 14%.

 

De acordo com as pesquisas, Gomes ocupa hoje uma posição mais confortável, no entanto a segunda vaga está completamente em disputa.

 

69%: O NÚMERO QUE DEVERIA TIRAR O SONO DOS CANDIDATOS

Há um dado da Paraná Pesquisas que talvez seja ainda mais importante que a classificação dos candidatos. Na pesquisa espontânea para o Senado, 69% dos entrevistados disseram não saber ou não opinaram. Isso não significa que 69% necessariamente permanecerão indecisos até a urna, nem que todos estejam disponíveis da mesma maneira para qualquer candidato. Porém, existe um enorme espaço para construção de voto. E essa característica torna precipitada qualquer tentativa de decretar antecipadamente quem ocupará a segunda cadeira do Tocantins no Senado.

 

Nesta eleição, candidato que se considerar eleito antes do tempo poderá acordar tarde demais. E candidato que se considerar derrotado pelas primeiras pesquisas também pode estar cometendo o mesmo erro.

 

ALEXANDRE E GAGUIM ESTÃO NA LINHA DE FRENTE

 

Entre os postulantes à segunda cadeira, Alexandre Guimarães e Carlos Gaguim aparecem hoje em posições especialmente competitivas. Alexandre possui posição competitiva, mas Gaguim também. Mas atrás deles existem candidatos com potencial para crescer e apenas alguns pontos percentuais podem mudar completamente a ordem dessa corrida.

 

LUXEMBURGO ENCONTROU UM PALANQUE

 

Vanderlei Luxemburgo tomou uma decisão política importante na última semana de agosto. Candidato ao Senado pelo Podemos, ele anunciou apoio à candidatura de Vicentinho Júnior ao Governo do Estado e passou a compor politicamente o mesmo campo de Vicentinho, Amélio Cayres e Alexandre Guimarães.

 

Vicentinho declarou apoio a Luxemburgo como seu segundo nome ao Senado, ao lado de Alexandre. Isso cria uma situação eleitoral interessante. Alexandre e Luxemburgo passam a pedir votos dentro do mesmo palanque majoritário, numa eleição em que o eleitor possui justamente duas escolhas para senador.

 

Em tese, um pode ajudar o outro. Se essa dobradinha funcionará nas ruas é outra história. Hoje, Luxemburgo não está liderando a disputa pela segunda vaga, mas também está longe de poder ser descartado.

 

RONALDO DIMAS NÃO PODE SER SUBESTIMADO

 

O mesmo vale para Ronaldo Dimas. Ex-prefeito de Araguaína por dois mandatos e ex-deputado federal, Dimas disputa o Senado pelo Podemos e possui uma base política particularmente importante no Norte do Tocantins.

 

Araguaína será naturalmente uma das vitrines de sua candidatura. Dimas precisa agora transformar reconhecimento regional em expansão estadual. Se conseguir sair forte de Araguaína, ampliar presença no Bico do Papagaio e avançar sobre Palmas e a região Sul, poderá melhorar sua posição.

 

O CASO ELI BORGES

 

É neste cenário que aparece um dos assuntos mais comentados nos bastidores da base governista: a situação do deputado federal e candidato ao Senado Eli Borges.

 

O Republicanos homologou oficialmente sua candidatura ao Senado em convenção realizada no início de agosto, juntamente com o apoio do partido à candidatura de Professora Dorinha ao Governo. A legenda é presidida no Tocantins pelo governador Wanderlei Barbosa.

 

Segundo interlocutores ouvidos reservadamente pelo Observatório Político de O Paralelo 13, existe descontentamento entre aliados de Eli com a multiplicidade de candidaturas ao Senado existentes dentro do amplo arco político relacionado ao grupo governista.

 

O ponto central seria uma expectativa de maior protagonismo para sua candidatura. Aqui, porém, é preciso distinguir o que é fato do que é bastidor. O fato é que Eli Borges teve sua candidatura homologada. O relato de que teria recebido anteriormente promessa de apoio político prioritário é uma versão atribuída a seus interlocutores e precisa ser tratada exatamente dessa maneira.

 

“O GOVERNADOR FOI ATÉ ONDE PODIA”, DIZ FONTE PALACIANA

 

Um integrante de alta influência no grupo governista, ouvido sob condição de anonimato pelo Observatório Político, apresenta outra leitura. Segundo ele, Wanderlei Barbosa teria cumprido o compromisso político assumido com Eli Borges ao viabilizar espaço partidário e apoiar a homologação de sua candidatura. Na avaliação dessa fonte, isso não significaria exclusividade. “O governador tem seus limites como líder de um grupo formado por vários partidos e várias lideranças. Eli teve sua vaga, foi homologado em convenção. Bancar sozinho sua campanha, garantir eleição ou exclusividade nunca teria feito parte do acordo”, resumiu o interlocutor ao Observatório.

 

Essa é a versão palaciana. Do outro lado, aliados de Eli demonstrariam expectativa de maior envolvimento político. É daí que nasce a tensão.

 

Na política, nem todo movimento significa rompimento. Ás vezes é pressão, recadou ou apenas uma maneira de melhorar posição dentro do próprio grupo. Resta saber se estamos diante de uma movimentação real, capaz de produzir consequência eleitoral, ou apenas diante de uma negociação típica de reta final de campanha.
A pergunta cabe: é rastro de onça ou pegada de coelho? Setembro responderá!

 

ELI TEM UM PATRIMÔNIO QUE NÃO PODE SER IGNORADO

Também seria erro tratar Eli Borges como candidatura sem importância. O deputado possui trajetória política consolidada, eleitorado próprio e forte inserção no segmento evangélico. Sua história passa por mandatos de vereador, deputado estadual e deputado federal.

 

Há igrejas, pastores, lideranças e eleitores que acompanham sua trajetória há anos, especialmente em centros importantes como Palmas e Araguaína, além de municípios do interior. Esse eleitorado fidelizado representa um patrimônio político real.

 

Ao mesmo tempo, as pesquisas mostram o desafio que ele enfrenta numa disputa majoritária com adversários que possuem estruturas eleitorais robustas e bases regionais consolidadas. Eli não está fora do jogo, mas precisa crescer!

 

Existe ainda outra pergunta importante. Caso Eli Borges, por decisão própria, deixasse a disputa, seus votos não seriam automaticamente transferidos para outro candidato. Nenhum político é proprietário dos votos de seus eleitores. Entretanto, é razoável considerar que sua orientação teria alguma influência sobre uma parcela de seu grupo político e religioso.

 

Quanto? Somente as urnas ou novas pesquisas poderiam medir.

 

Se um movimento dessa natureza viesse realmente a acontecer, seria necessário observar também a reação de seus pastores aliados, lideranças partidárias e eleitores tradicionais.
Porque uma coisa é a decisão do candidato. Outra é saber se toda a base o acompanha.

 

PAULO MOURÃO TAMBÉM ESTÁ NO JOGO

 

Não se pode fazer uma análise completa dessa segunda vaga e esquecer Paulo Mourão. Mourão ocupa outro campo político e possui sua própria base eleitoral. Em uma corrida tão fragmentada, qualquer candidato situado nessa faixa pode crescer com uma combinação de voto regional, palanque, estrutura, comunicação e desempenho nas últimas semanas.

 

A segunda vaga não pertence antecipadamente a ninguém.

 

NÃO EXISTE “ANDAR DE BAIXO” SEM FORÇA

Se Eduardo Gomes aparece isolado numericamente na liderança dos levantamentos, o chamado “andar de baixo” não deve ser interpretado como um conjunto de candidaturas menores ou irrelevantes. É exatamente ali que está acontecendo a disputa mais interessante desta eleição.

 

Alexandre Guimarães tem uma estrutura, Gaguim tem outra. Dimas possui Araguaína e sua trajetória administrativa como ativos. Luxemburgo tenta transformar notoriedade nacional e novo palanque político em voto. Eli Borges possui eleitorado religioso fidelizado. Paulo Mourão conta com uma trajetória política e campo ideológico definido.

 

Todos têm problemas. Todos têm vantagens. E todos têm pouco tempo.

 

OS PRÓXIMOS DIAS

 

Ainda é cedo para saber quem chegará às urnas como principal adversário de Eduardo Gomes na disputa pelas duas cadeiras. Mas as próximas rodadas de pesquisas deverão mostrar quem conseguiu aproveitar setembro.

 

Quem cresceu, quem parou, quem perdeu espaço, ou quem conseguiu transformar palanque em voto e acertou na comunicação. A campanha está na rua, é hora de gastar a sola do sapato, pedir foto e sobretudo olhar o eleitor no olho.

 

A SEGUNDA VAGA NÃO TEM DONO

O Observatório Político de O Paralelo 13 mantém a avaliação apresentada nas últimas análises: Eduardo Gomes começa setembro em posição de liderança nas pesquisas. Isso não significa eleição antecipada e abaixo dele existe uma disputa ainda mais imprevisível. São candidatos diferentes, com estruturas diferentes, estratégias e eleitorados diferentes.

 

Os próximos dias separarão potencial de realidade.

 

E, quando o eleitor entrar na cabine de votação para escolher seus dois candidatos ao Senado, não haverá acordo de bastidor, fotografia de pesquisa ou promessa de liderança capaz de substituir o único resultado que realmente importa: o voto.

 

 

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O Paralelo 13

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