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QUEM ESTARÁ COM O ZAP NA MÃO ATÉ AS CONVENÇÕES DE 2026

Posted On Segunda, 09 Fevereiro 2026 05:11
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PENSAMENTO DO DIA

 

“A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam. Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública.”

 

Ulysses Guimarães

 

 

O jogo sucessório no Tocantins ainda não começou oficialmente, mas já movimenta bastidores, estratégias, acordos e disputas internas que deixa claro que ninguém entrou em

 

 

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

campo para brincar. Até as convenções partidárias, o que se desenha é um cenário de competição sem regras explícitas, em que resistem não necessariamente os melhores projetos, mas os mais hábeis, estruturados e com musculatura política para permanecer no páreo.

 

Neste tabuleiro, apenas o governador Wanderlei Barbosa detém autonomia real para conduzir a costura final da chapa majoritária governista, definir apoios e impor regras. Com prestígio, controle da máquina e influência sobre aliados e parceiros do Palácio Araguaia, ele segue como o grande fiador do processo.

 

AS PRÉ-CANDIDATURAS E O JULGAMENTO DAS URNAS

 

Todos os pré-candidatos e pré-candidatas ao governo do Estado merecem respeito da imprensa e da opinião pública ao colocarem seus nomes à disposição. Estão todos sujeitos à avaliação de mais de 1,1 milhão de eleitores tocantinenses. Antes disso, porém, o período que antecede as convenções costuma ser marcado por embates duros, disputas de bastidores, testes de força e tentativas de desidratação política.

 

Não existe, neste momento, candidatura tão forte que não possa ser derrotada, nem candidatura tão frágil que não possa surpreender nas urnas. O voto secreto, historicamente, já mostrou sua capacidade de contrariar prognósticos, estruturas financeiras e até favoritismos aparentes.

 

BASE GOVERNISTA

 

 

No campo governista, duas pré-candidaturas despontam com densidade política, experiência e capacidade de governar: a senadora Professora Dorinha Seabra e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Amélio Cayres. Ambos reúnem pré-requisitos técnicos e políticos e permanecem no páreo como opções reais do governador Wanderlei Barbosa.

 

O presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato a governador, Amélio Cayres continua viajando no estado, visitando lideranças e assegurando ser candidato a governador ao mesmo tempo que vem reunindo com os demais deputados estaduais, discutindo a sucessão como candidato da base governista.

 

 

De volta ao Tocantins neste fim de semana após cumprir missão oficial em Londres representando o Senado Federal, a senadora Professora Dorinha Seabra, pré-candidata ao governo do Estado pela base do Palácio Araguaia, retoma a agenda política em meio às articulações da sucessão estadual. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Dorinha tem adotado postura cautelosa e evitado declarações públicas sobre a disputa interna, aguardando que o governador Wanderlei Barbosa conduza as conversas com as principais lideranças da base para, de forma conjunta, desenhar o tabuleiro das candidaturas majoritárias. Só a partir dessa definição deverá avançar a formatação das nominatas proporcionais, federal e estadual, previstas para ganhar corpo a partir de 4 de abril. Nos bastidores, Dorinha já dialogou com diversos deputados e deputadas estaduais e saiu satisfeita das conversas, sinalizando um ambiente político receptivo ao seu projeto.

 

Nos bastidores, o governador tem reafirmado que o grupo político em torno do Palácio Araguaia chegará unido às convenções para homologar a chapa palaciana, com foco na continuidade do projeto de poder. A definição, porém, ainda depende de conversas individuais e decisivas previstas para esta semana.

 

EDUARDO GOMES

 

 

No cenário da disputa ao Senado, um ponto aparece hoje como consenso na base governista: o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, ocupa a única vaga considerada consolidada na chapa. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o senador reúne o apoio da maioria absoluta dos prefeitos tocantinenses e conta com respaldo integral do governador Wanderlei Barbosa e da pré-candidata ao governo Professora Dorinha Seabra. Com trânsito suprapartidário, Eduardo Gomes viabilizou mais de R$ 2,3 bilhões em recursos para os 139 municípios do Tocantins, independentemente de cor partidária, além de investimentos para o Governo do Estado nas gestões de Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa, consolidando-se como o nome mais competitivo e politicamente estabilizado da corrida ao Senado em 2026.

 

OPOSIÇÃO

 

Do outro lado, a oposição ao Palácio Araguaia se apresenta dividida em ao menos três blocos, com dificuldades evidentes de convergência.

 

 

No PSD, o vice-governador Laurez Moreira mantém agenda ativa, percorre o Estado, dialoga com lideranças e se prepara para encontro em Brasília com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. No entorno do vice, aliados aguardam o que chamam de “bomba” política após o Carnaval, relacionada à conclusão de investigações envolvendo o governador Wanderlei Barbosa e familiares. O clima é de expectativa e cautela, sob o velho teste de São Tomé: só vendo para crer.

 

PSDB RACHADO

 

No PSDB, o racha é público e ganhou novos contornos nos últimos dias, em meio às articulações nacionais e estaduais da sigla. A disputa não é, neste momento, por uma candidatura ao governo, mas pelo comando político do partido no Tocantins e pelo protagonismo na sucessão estadual.

 

 

A ex-prefeita de Palmas Cinthia Ribeiro, presidente estadual do PSDB, atua diretamente para manter o controle da legenda no Estado. Como dirigente partidária, ela será recebida em Brasília pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, em uma audiência considerada decisiva para definir os rumos da sigla no Tocantins. Cinthia conta com o apoio do ex-presidente nacional do partido, Marconi Perillo, figura central nas articulações tucanas.

 

Do outro lado, o deputado Vicentinho Júnior, pré-candidato ao governo do Estado, afirma ter recebido convite direto de Marconi Perillo para se filiar ao PSDB. O movimento, se confirmado, reposiciona completamente o partido no tabuleiro eleitoral e acirra o embate interno.

 

Paralelamente a esse racha, um gesto político de forte simbolismo ocorreu nesta sexta-feira (6), em que o ex-senador Vicentinho Alves entregou o cargo que ocupava na Prefeitura de Palmas, na gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos, para se dedicar integralmente ao projeto político do filho.

 

Vicentinho Alves, que até então era secretário municipal extraordinário de Representação em Brasília, anunciou o desligamento de forma direta, afirmando que não havia mais como conciliar a função administrativa com a atuação política na pré-campanha. “Apresentei meu pedido de desligamento da secretaria em razão de me integrar à campanha de Vicentinho Júnior para governador. Agora é tempo integral à pré-campanha do Vicentinho Júnior, sou fã e torcedor fiel dele, ele é muito determinado e corajoso”, declarou.

 

 

O ex-senador fez questão de ressaltar que deixa a gestão sem qualquer ruptura pessoal ou política com Eduardo Siqueira Campos, agradecendo a confiança e reafirmando a amizade. Ainda assim, o gesto teve leitura política imediata, uma vez que Eduardo Siqueira é um dos principais apoiadores da pré-candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra, o que tornaria incompatível a permanência de Vicentinho Alves em um cargo de primeiro escalão enquanto o filho se posiciona como candidato de oposição ao Palácio Araguaia.

 

Com isso, Vicentinho Júnior envia um recado claro de que realmente está no páreo como candidato ao governo e disposto a disputar espaço não apenas nas urnas, mas também no controle partidário. Diante do impasse, a cúpula nacional do PSDB pode tentar uma composição interna ou, em último caso, impor uma decisão administrativa sobre o comando da sigla no Estado.

 

AMÉLIO CAYRES E O FATOR SENADO

 

O presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, apesar das turbulências recentes, segue fortalecido e prestigiado. Na última semana, participou de um café da manhã reservado com o governador Wanderlei Barbosa, o vice-presidente do Senado Eduardo Gomes e o deputado Vilmar do Detran. O encontro foi longo e, até agora, blindado contra vazamentos.

 

Amélio representa uma região que concentra mais de 57% dos votos do Estado (Norte/Bico do Papagaio), tem apoio da maioria dos deputados estaduais e, como candidato ao Senado, unificaria o grupo governista, deixando Wanderlei Barbosa mais confortável para coordenar a campanha de Dorinha ao governo.

 

A POSIÇÃO DE GAGUIM

 

 

O deputado federal Carlos Gaguim conversou com o Observatório Político de O Paralelo 13 e reafirmou sua candidatura ao senado. Segundo ele, trata-se de uma iniciativa inegociável. Gaguim afirmou ainda que há um compromisso político com mais de 100 prefeitos para que este passo seja efetivado. Deputado federal por três mandatos, Gaguim tem grande capital político no Tocantins, onde além de deputado estadual, também foi governador do Estado.

 

Defensor assíduo da candidatura da senadora professora Dorinha ao governo do Estado, é inegável, também, a lealdade de Gaguim no momento em que Wanderlei Barbosa foi afastado, permanecendo ao lado do governador quando muitos se afastaram. Caso haja rearranjo, esse histórico pesa e exige reconhecimento político, colocando o governador em uma verdadeira sinuca de bico.

 

PESQUISAS ELEITORAIS EM XEQUE

 

 

As eleições municipais de 2024 enterraram a credibilidade de diversos institutos de pesquisa no Tocantins. Em Palmas, houve semanas com três pesquisas diferentes, todas distantes do resultado real das urnas. Candidaturas apontadas como vencedoras no primeiro turno sequer confirmaram desempenho próximo ao previsto.

 

Para este ano, os institutos precisarão rever metodologias, equipes de entrevistadores e critérios de amostragem se quiserem recuperar confiança e alinhamento com os dados oficiais do TRE.

 

TERCEIRO TURNO

 

Além das disputas eleitorais, um novo fator entra no jogo: o chamado “terceiro turno”. O STF decidiu que práticas de caixa dois podem ser punidas tanto como crime eleitoral quanto como improbidade administrativa, permitindo condenações simultâneas na Justiça Eleitoral e na Justiça comum.

 

A decisão endurece o cerco sobre o financiamento irregular de campanhas em ano eleitoral e acende o alerta máximo entre partidos e candidatos. As sanções podem incluir prisão, multa, perda de direitos políticos e proibição de contratar com o poder público.

 

É PRECISO DEFINIR

 

Não adianta cantar o Hino Nacional começando pelo refrão. Antes de qualquer definição sobre as duas vagas ao Senado, é indispensável decidir, de forma clara e formal, quem será o candidato ou a candidata ao governo do Estado pela base governista.

 

 

As conversas previstas para esta semana entre o governador Wanderlei Barbosa, a senadora Professora Dorinha Seabra e o presidente da Assembleia Legislativa Amélio Cayres serão individuais, reservadas e decisivas. Desses diálogos sairá, ou não, a unidade da base e o desenho final da chapa palaciana.

 

Enquanto isso, a oposição segue fragmentada, sem liderança capaz de unificar projetos, discursos e palanques. O excesso de nomes fortes, longe de fortalecer, pode acabar diluindo forças e abrindo caminho para a manutenção do controle político do Palácio Araguaia.

 

Até aqui, não há vencedores nem derrotados. Há apenas movimentos, sinais, gestos calculados e muita conversa de bastidor. No Tocantins de 2026, quem hoje está com o zap na mão pode não ser, amanhã, quem estará com a caneta na mão.

 

 

 

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