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PODEMOS DE DIMAS PODE DESANDAR

Posted On Terça, 10 Fevereiro 2026 11:51
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Por Edson Rodrigues

 

 

A visita da presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu, a Palmas, nesta terça-feira (10), escancara mais do que um gesto de cortesia partidária. Coloca sob os holofotes uma crise política e de comando que se arrasta há anos no Podemos tocantinense e que, agora, ameaça implodir de vez a legenda no Estado.

 

Presidido regionalmente pelo deputado federal Tiago Dimas, o Podemos nunca conseguiu, de fato, se estruturar no Tocantins. Vive até hoje sob comissão provisória, sem diretórios consolidados na maioria dos municípios, reflexo direto da incapacidade de ampliar bases, formar lideranças e criar identidade partidária. O resultado é um partido pequeno, com apenas um prefeito, Eduardo Siqueira Campos, em Palmas e 23 vereadores eleitos em todo o Estado, cinco deles na Capital.

 

 

Mesmo assim, o Podemos insiste em girar em torno de um núcleo familiar: os Dimas. Tiago, o presidente formal; Ronaldo Dimas, o ex-prefeito de Araguaína e figura central das articulações políticas, que transita entre partidos, governos e projetos eleitorais conforme o vento político do momento. Foi assim quando deixou a Secretaria de Planejamento da gestão Eduardo Siqueira Campos para integrar o governo interino de Laurez Moreira. Foi assim ao defender a reeleição de Laurez, mesmo sendo filiado ao PL e aliado circunstancial de adversários diretos da atual gestão de Palmas.

 

Esse movimento constante de aproximação e afastamento cobra seu preço. Hoje, os Dimas estão politicamente distantes justamente do único prefeito eleito pelo Podemos no Tocantins e do maior colégio eleitoral do Estado, com mais de 200 mil eleitores aptos a votar. Eduardo Siqueira Campos venceu a eleição muito mais por prestígio pessoal do que por força partidária, o que expõe ainda mais a fragilidade da legenda.

 

Tiago Dimas , Eduardo Siqueira Campos e Renata Abreu 

 

É nesse contexto que chega Renata Abreu. Oficialmente, a agenda é de fortalecimento do partido e organização das chapas para 2026. Extraoficialmente, porém, a pauta real passa pela disputa interna por espaço, poder e sobrevivência política. Há um compromisso da executiva nacional com o empresário e técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo, que se movimenta como pré-candidato ao Senado pelo Podemos. Ao mesmo tempo, Ronaldo Dimas articula uma alternativa para si, já que no PL a vaga ao Senado está ocupada pela candidatura à reeleição do senador Eduardo Gomes, apoiada inclusive por Eduardo Siqueira Campos.

 

A equação é explosiva. Um partido pequeno, sem estrutura municipal sólida, comandado por um grupo que se afastou do seu principal ativo eleitoral, agora precisa decidir se seguirá como linha auxiliar de projetos pessoais ou se tentará, tardiamente, se reinventar. A conversa entre Renata Abreu, Eduardo Siqueira Campos e Thiago Dimas será decisiva para definir se o Podemos no Tocantins terá rumo ou continuará prisioneiro de interesses familiares e improvisações políticas.

 

Se insistir no mesmo modelo, o Podemos corre o risco de desandar de vez em 2026, não por falta de nomes, mas por excesso de contradições. No xadrez político tocantinense, partidos que não constroem bases acabam virando apenas legendas de passagem. E o Podemos, até aqui, parece mais perto desse destino do que de um projeto consistente de poder.

 

 

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