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O DILEMA DE DORINHA EM UM TOCANTINS IMPREVISÍVEL: OU VENCE NO PRIMEIRO TURNO, OU CORRE RISCO NO SEGUNDO

Posted On Domingo, 29 Março 2026 23:26
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ANÁLISE POLÍTICA

 

 

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

Com 39 anos de atuação à frente de O Paralelo 13, a Família de O Paralelo 13 reafirma seu papel como testemunha ativa da história do Tocantins, acompanhando desde os movimentos que antecederam a criação do Estado até os bastidores das disputas atuais. Ao longo dessa trajetória, o jornal evoluiu do impresso ao digital e agora se prepara para retomar sua versão impressa, mantendo a essência editorial firme, crítica e respeitosa que o consolidou como referência.

 

É com esse acúmulo de experiência que se observa o processo sucessório de 2026, um dos mais antecipados e imprevisíveis da história recente do Estado.

 

 

A disputa começou muito antes do calendário eleitoral. O rompimento entre o governador Wanderlei Barbosa e o vice-governador Laurez Moreira abriu uma fissura política que desencadeou uma corrida precoce pelo Palácio Araguaia. Laurez passou a percorrer o Estado construindo sua pré-candidatura, enquanto Wanderlei incentivava o então amigo e aliado, presidente da Assembleia Legislativa Amélio Cayres a se posicionar como alternativa.

 

Nesse mesmo cenário, a senadora Professora Dorinha Seabra estruturou uma ampla base política ao lado do senador Eduardo Gomes e do deputado federal Carlos Gaguim, reunindo prefeitos dos maiores colégios eleitorais, como Eduardo Siqueira Campos, Wagner Rodrigues, Josi Nunes, Ronivon Maciel e Celso Morais. 

 

 

O afastamento de Wanderlei Barbosa reconfigurou completamente o cenário. Durante a interinidade de Laurez, o governo ganhou novos contornos e evidenciou disputas internas. O retorno do titular, por decisão do ministro Nunes Marques, provocou nova rearrumação política e consolidou um pacto com Dorinha, Eduardo Gomes e Carlos Gaguim.

 

Mas a estabilidade durou pouco. O rompimento com Amélio Cayres, escancarado publicamente, mostrou que o ambiente político segue longe de qualquer previsibilidade.

 

DORINHA: FORÇA POLÍTICA VERSUS CONEXÃO POPULAR

 

 

Hoje, a pré-candidatura de Professora Dorinha é a mais robusta em termos de apoio político e institucional. No entanto, o Tocantins tem uma característica própria e eleição não se vence apenas com estrutura. O fator decisivo, muitas vezes, é o sentimento do eleitor.

 

E é exatamente nesse ponto que reside o principal desafio da senadora. Há reconhecimento de sua trajetória, especialmente na educação, mas ainda não se percebe um engajamento espontâneo e massivo que ultrapasse o círculo político.

 

O EXEMPLO DECISIVO: A VIRADA DE EDUARDO SIQUEIRA CAMPOS

 

 

A eleição de 2024 em Palmas é o exemplo mais recente e didático dessa dinâmica. No primeiro turno, Eduardo Siqueira Campos ficou atrás, com 32,42% dos votos válidos, enquanto sua adversária liderava com 39,22%.

 

O cenário indicava uma tendência clara, reforçada por pesquisas e pela estrutura política adversária. No entanto, no segundo turno, houve uma virada. Eduardo Siqueira Campos alcançou 53,03% dos votos válidos, contra 46,97% da concorrente, consolidando uma vitória construída na reta final da campanha.

 

Mais do que números, esse resultado revelou um fenômeno recorrente no Tocantins de que o eleitor pode contrariar estruturas, pesquisas e alianças quando movido por identificação, sentimento e confiança.

 

LAUREZ MOREIRA: CONSISTÊNCIA E PRESENÇA NO JOGO

 

 

Laurez Moreira segue como um dos principais nomes da disputa estadual. Com forte presença no interior e articulação política consolidada, demonstrou capacidade de mobilização e organização. Sua passagem pelo governo interino ampliou sua visibilidade e o colocou definitivamente no radar como um candidato competitivo, com reais chances de chegar ao segundo turno.

 

VICENTINHO JÚNIOR: JUVENTUDE E CRESCIMENTO SILENCIOSO

 

 

Já o deputado federal Vicentinho Júnior representa uma nova dinâmica na disputa. Com apelo junto ao eleitorado jovem e estratégia de aproximação mais direta, vem conquistando espaço de forma consistente. Em um cenário fragmentado, seu crescimento pode alterar o equilíbrio da eleição e influenciar diretamente a configuração de um eventual segundo turno.

 

UM CENÁRIO ABERTO E UM ALERTA

 

O cenário eleitoral de 2026 permanece completamente em aberto. O volume de indecisos é elevado, e a experiência recente demonstra que pesquisas nem sempre capturam o comportamento real do eleitorado. A política tocantinense segue sendo definida menos por estruturas formais e mais pela dinâmica viva das ruas.

 

É neste cenário que a Professora Dorinha  precisa transformar sua ampla base de apoio em conexão popular e vencer no primeiro turno, consolidando uma vitória estratégica. Mas, se a eleição avançar para o segundo turno, o cenário muda completamente.

 

Nesse novo ambiente, alianças se reorganizam, adversários se fortalecem e o eleitor decide com mais liberdade, exatamente como ocorreu em Palmas. No Tocantins, a história já mostrou que favoritismo não ganha eleição. Quem ganha é quem consegue conquistar o sentimento do eleitor.

 

E esse jogo, definitivamente, ainda está longe de ser decidido.

 

 

 

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