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NA CORRIDA AO SENADO, NÃO SUBESTIME QUEM CHEGA DEPOIS

Posted On Quinta, 23 Abril 2026 14:14
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

Por trás da poeira já levantada por uma pré-campanha longa e desgastante, dois nomes começam a se mover com mais intensidade no tabuleiro político do Tocantins. E fazem isso com uma vantagem silenciosa, afinal chegaram mais tarde, estão menos expostos e com energia preservada para a reta decisiva.

 

Na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026, os movimentos recentes indicam que o jogo está longe de ser definido e ignorar certos atores pode ser um erro estratégico.

 

O processo sucessório no Tocantins começou cedo demais. Há pelo menos dois anos, pré-candidatos vêm ocupando espaços, firmando alianças e testando discursos. Nesse intervalo, o que era novidade deixou de ser. Veio o desgaste natural, a exposição excessiva e, em alguns casos, pequenos conflitos, erros de percurso e escolhas políticas que não dialogam com todos os setores.

 

Esse cenário abriu espaço para um fenômeno comum na política e traz a valorização de quem entra depois, com discurso mais ajustado e menor rejeição acumulada. É nesse contexto que ganham relevância as pré-candidaturas de Eli Borges e Mauro Carlesse.

 

ELI BORGES

Com trajetória construída a partir das bases religiosas, Eli Borges carrega um capital político consistente. No total são nove mandatos, foi vereador, deputado estadual e agora ocupa o cargo de deputado federal, sempre mantendo uma linha ideológica clara e alinhada ao seu eleitorado.

 

Em um estado como o Tocantins, onde a religiosidade tem forte influência social e política, esse fator não é secundário ao contrário, pode ser decisivo na formação de uma base eleitoral sólida.

 

O movimento mais recente reforça essa leitura. Durante agenda política em Palmeirópolis, o governador Wanderlei Barbosa foi direto ao declarar apoio: “O pastor Eli Borges é o meu candidato ao Senado.”

 

A fala, feita diante de prefeitos, vereadores, deputados e lideranças políticas, sinaliza mais do que preferência pessoal, aponta para uma possível estrutura robusta de apoio.

 

MAURO CARLESSE

 

Do outro lado, Mauro Carlesse adota uma estratégia distinta. Após um período de reflexão política, o ex-governador voltou ao cenário com planejamento detalhado e discurso mais contido.

 

Sem entrar em confronto direto com adversários, Carlesse tem priorizado agendas regionais, visitando lideranças e mapeando, cidade por cidade, o cenário político. A proposta é reconstruir sua imagem e defender o legado de sua gestão tanto no Palácio Araguaia quanto na Assembleia Legislativa.

 

A ausência de ataques e o foco em articulação podem ser trunfos em um ambiente já marcado por tensões acumuladas.

 

O FATOR TEMPO NO JOGO ELEITORAL

 

O que aproxima Eli Borges e Mauro Carlesse, apesar das trajetórias distintas, é o timing. Ambos entram de forma mais efetiva na disputa em um momento em que outros nomes já enfrentam desgaste.

 

Com menos exposição negativa e maior capacidade de ajuste, passam a ocupar um espaço relevante no debate eleitoral, especialmente em uma corrida com duas vagas em aberto, o que amplia as possibilidades de composição e rearranjo político.

 

A eleição para o Senado no Tocantins segue indefinida. Há nomes consolidados, estruturas já montadas e alianças em andamento. Mas há também espaço para reconfigurações e é nesse espaço que novas ou retomadas candidaturas podem crescer.

 

Subestimar quem chega depois pode custar caro.

A política, afinal, não se decide apenas na largada. Muitas vezes, é na resistência, na estratégia e no momento certo de avançar que se define quem cruza a linha de chegada.

 
Religião e política no Tocantins

 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o Tocantins está entre os estados com maior presença de grupos religiosos organizados no Brasil, especialmente de matrizes evangélicas.

 

Esse perfil impacta diretamente o comportamento do eleitorado e fortalece candidaturas com vínculos claros com lideranças religiosas, caso de Eli Borges.

 

A relação entre fé e política, portanto, segue como um dos elementos centrais para entender a dinâmica eleitoral no estado.

 

Panorama geral

• Católicos: 70,6% da população (969.727 pessoas)

• Evangélicos: 21,96% (301.631 pessoas)

• Sem religião: 5,19% (71.287 pessoas)

 

 

 

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