Chega ao fim, após um longo período de agonia, o lendário Grupo Jaime Câmara, que, depois de imposição da TV Globo, foi vendido ao Grupo Zahran, uma das maiores empresas de comunicação do Brasil, com atuação expressiva nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde opera a RMC – Rede Mato-grossense de Comunicação, proprietária da TV Morena e da TV Centro América, afiliadas da TV Globo, com atuação em Cuiabá e Campo Grande
Da Redação
Entre seus principais dirigentes estão Caio Turqueto, presidente do Grupo Zahran; Pedro João Zahran Turqueto, CEO da Copa Energia; e Nicomedes Silva Filho, diretor-geral da RMC, que, entre os dias 27 de julho e 1º de agosto, assume definitivamente toda a direção do grupo em Goiás e no Tocantins.
Segundo nossas fontes, no início das negociações, o interesse maior do Grupo Zahran era somente pela emissora de TV. Mas, como foi convencido pelos dirigentes da TV Globo, também aceitou, no pacote, tanto a concessão da TV Anhanguera quanto os jornais O Popular, Jornal do Tocantins, Daqui e as rádios.
Ainda segundo nossas fontes, as versões impressas de O Popular — jornal quase centenário — e do Daqui serão descontinuadas, dado o alto custo do papel e da área gráfica.

Jaime Câmara Júnior ex-acionista majoritário do Grupo Jaime Câmara
Outro ponto que quase emperrou as negociações, conforme nossas fontes, foi a situação do grupo no Tocantins. Após uma auditoria patrimonial e de recursos humanos realizada na empresa no estado, para avaliação financeira, o Grupo Zahran quis rediscutir valores.
Segundo um dos relatórios dessa minuciosa auditoria, no Tocantins, o Grupo Jaime Câmara, que já foi sinônimo de qualidade televisiva, encontra-se em franca decadência, sem relevância na área de comunicação, com patrimônio deteriorado e fazendo um jornalismo que beira o amadorismo.

Nicomedes Silva Filho, à esquerda, é o diretor-geral da Rede Mato-grossense de Comunicação (RMC)
Nesse documento foi destacado, ainda, o permanente encolhimento das equipes de profissionais capacitados, com material televisivo sendo editado com imagens de celular emprestadas por membros da sociedade, além de forçar o entrevistado a se deslocar, de qualquer região do estado, para a entrevista na sede da empresa, em Palmas.
Destacou-se também, nesse relatório, que a TV Anhanguera, no Tocantins, escorada nas produções da TV Globo, usa profissionais de comunicação sem nenhum preparo linguístico, rasos nos textos e na condição empregatícia de estagiários.

Ronaldo Ferrante: o diretor comercial participa do processo de transição
É por tudo isso e muito mais que o novo CEO do Grupo Zahran quer uma atuação mais firme no Tocantins, devolvendo a relevância, o profissionalismo e a importância ao jornalismo local.
O CEO do grupo também decidiu que o nome TV Anhanguera, consolidado no imaginário dos goianos e tocantinenses, deve ser mantido, tendo todas as equipes com o foco voltado para o aumento do faturamento da empresa, hoje considerado aquém da estrutura de uma afiliada da TV Globo, merecedora de respeito por sua grandiosidade mundial.