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DORINHA TEM A MÁQUINA POLÍTICA, MAS VICENTINHO AVANÇA NAS ADESÕES; FLÁVIO, MICHELLE E NIKOLAS SÃO A CARTADA FINAL DO GRUPO GOVERNISTA

Posted On Segunda, 19 Outubro 2026 09:48
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A reta final do segundo turno no Tocantins chegou ao momento em que discurso, estrutura política e pesquisa precisam se transformar em voto. Vicentinho Júnior (PSDB) vem ampliando seu arco de alianças, enquanto a campanha da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) prepara uma ofensiva com lideranças nacionais para tentar recuperar terreno antes da votação de 25 de outubro.

 

O cenário exige uma pergunta incômoda para o grupo governista: como uma candidatura apoiada pelo governador, por um senador de grande votação e por uma estrutura política expressiva chega à última semana tendo de reagir ao avanço do adversário?

 

A resposta não está em um único fator. As adesões, as dificuldades de comunicação interna, a capacidade de mobilização e a relação da candidata com as lideranças municipais compõem um cenário que precisa ser enfrentado sem maquiagem política.

 

VICENTINHO AMPLIA O CAMPO DE APOIO

 

A candidatura de Vicentinho Júnior vem recebendo manifestações de apoio de lideranças que, no primeiro turno, estavam em outros campos políticos. Entre os movimentos citados estão as adesões do ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas e do deputado federal Tiago Dimas, além de vereadores de Palmas e de outras lideranças municipais.

 

Nas últimas movimentações também aparecem o Alfredo Júnior, que foi deputado federal, e obteve mais de 45 mil votos, e o professor Witer Naves (PSOL), que disputou o Governo do Tocantins no primeiro turno e anunciou apoio a Vicentinho.

 

 

Senador Alexandre Guimarães Deputados Amélio Cayres e Vicentinho Júnior 

 

O movimento é politicamente relevante porque reúne lideranças com diferentes bases eleitorais e amplia a presença da candidatura em municípios estratégicos. Em Palmas, maior colégio eleitoral do Estado, as adesões dos vereadores Wilton do Zé Branquinho, Delma Freitas, Alex Mascarenhas e Vinicius Pires acrescentam novos pontos de apoio à campanha tucana.

Os números individuais de eleições anteriores não significam transferência automática de votos. Ainda assim, a sucessão de anúncios cria um fato político que a campanha adversária não pode simplesmente ignorar.

 

 

Senadora e candidata ao governo Dorinha e o governador Wanderlei Barbosa 

 

Nos bastidores, uma das reclamações atribuídas a lideranças que deixaram o campo de Dorinha seria a falta de diálogo e de interlocução com a candidata. Se essa percepção estiver disseminada entre aliados, o problema deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser de coordenação política. Em uma campanha de segundo turno, perder interlocução com quem conhece as bases municipais pode custar caro.

 

QUADRO POLÍTICO: VOTAÇÕES DAS LIDERANÇAS CITADAS

Os números abaixo ajudam a dimensionar a votação obtida por parte das lideranças mencionadas nas articulações eleitorais. São resultados de candidaturas a cargos diferentes, portanto não devem ser somados como se representassem um bloco único de votos transferíveis.

 

 

 

Laurez Moreira recebeu 69.967 votos na disputa pelo Governo do Estado; Eli Borges obteve 271.829 votos na corrida ao Senado; Ronaldo Dimas conquistou 93.009 votos para senador, enquanto seu filho, Tiago Dimas, recebeu 27.910 votos para deputado federal. Entre os candidatos a deputado estadual, Moisemar Marinho alcançou 26.158 votos, Luciano Oliveira teve 24.472, Gutierres Torquato recebeu 21.052, Paulinho Bonifácio somou 13.809 e Júnior Diamantino obteve 12.063.

 

 

Na disputa para deputado federal, Coronel Barbosa recebeu 28.544 votos, Luana Ribeiro alcançou 27.302 e Jorge Carneiro obteve 2.911. Já Elias da Ponte recebeu 1.288 votos na disputa para deputado estadual, enquanto Du Pereira somou 1.272 votos na eleição para governador. Esses números, assim como os resultados de outras lideranças citadas, ajudam a compreender a dimensão das bases políticas envolvidas, mas não significam transferência automática de votos para nenhum dos candidatos ao Governo. O desafio de Vicentinho Júnior é transformar as adesões em apoio efetivo nas urnas, enquanto a campanha de Dorinha precisa avaliar o impacto dessas movimentações e reagir na reta final.

 

O quadro evidencia a diversidade de bases políticas envolvidas no processo, mas também exige cautela: votação passada, cargo disputado, força regional e capacidade de mobilização são fatores diferentes. O desafio de Vicentinho é converter as novas alianças em presença efetiva nas urnas.

 

NADA A RECLAMAR DE WANDERLEI E EDUARDO GOMES

 

É preciso fazer justiça a dois dos principais nomes da campanha de Professora Dorinha Seabra: o governador Wanderlei Barbosa e o senador reeleito Eduardo Gomes. Não há elementos, neste cenário, para atribuir aos dois uma eventual derrota por omissão política. Ambos entraram de corpo e alma na campanha, participando da articulação e colocando seu peso político a serviço da candidatura. Parte expressiva do secretariado estadual também vestiu a camisa, incluindo o secretário de Comunicação, Márcio Rocha, e o secretário-chefe da Casa Civil, Deocleciano Gomes. Se o resultado não vier, será necessário avaliar o conjunto da estratégia, a comunicação com as bases, a condução da campanha e a capacidade de converter estrutura em votos. Wanderlei e Eduardo podem ser cobrados como lideranças políticas, mas não podem ser apontados como ausentes de uma disputa na qual têm atuado diretamente.

 

A CARTA FINAL: FLÁVIO, MICHELLE E NIKOLAS

 

A principal aposta da campanha governista para os últimos dias é a mobilização de lideranças nacionais da direita. A programação em articulação prevê Flávio Bolsonaro em Palmas, Michelle Bolsonaro em Gurupi e Nikolas Ferreira em Araguaína.

 

O objetivo é reanimar a militância, atrair apoiadores, aumentar a visibilidade da candidatura de Dorinha e transformar a presença de nomes nacionais em mobilização eleitoral. O trio tem alcance político e presença nas redes sociais, mas a pergunta que fica é se a repercussão dos eventos será suficiente para alterar o comportamento do eleitor tocantinense.

 

A presença de figuras nacionais pode ajudar a movimentar a campanha. Não substitui, entretanto, o diálogo local, a articulação com prefeitos e vereadores nem a apresentação de propostas para os problemas concretos do Estado.

 

A IMPRENSA AGUARDA A AGENDA OFICIAL

 

Há outro ponto que merece registro. Até o fechamento desta coluna, a imprensa tocantinense aguardava da equipe da candidata Professora Dorinha Seabra informações oficiais sobre a programação das visitas de Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira ao Estado.

 

A expectativa é por horários, locais, formatos dos eventos e orientações para a cobertura jornalística. Uma operação política dessa dimensão exige organização e comunicação à altura de sua importância. Não basta anunciar a chegada de lideranças nacionais; é preciso informar, com antecedência, onde estarão, quando falarão com a população e como os veículos de comunicação poderão acompanhar as agendas.

 

A imprensa não é um detalhe de bastidor. É parte fundamental da circulação de informações de interesse público. Em uma campanha que pretende mobilizar milhares de pessoas, a falta de informações oficiais compromete o planejamento da cobertura e limita a divulgação organizada dos eventos.

 

A cobrança é objetiva: a equipe de Dorinha precisa apresentar a programação oficial o quanto antes. A reta final não combina com improvisação, desencontro de informações ou silêncio diante de uma demanda legítima dos veículos de comunicação.

 

PORTO NACIONAL TAMBÉM ENTRA NO JOGO

 

Enquanto os governistas preparam sua mobilização, apoiadores de Vicentinho Júnior organizam uma carreata em Porto Nacional para quarta-feira, 21 de outubro. A programação divulgada prevê concentração às 8 horas, no estacionamento ao lado da Rodoviária, na região sul da cidade, com percurso anunciado de 19 quilômetros.

 

A organização informa que o ato reunirá tratores, carros e motocicletas, com a presença prevista de Vicentinho, do candidato a vice-governador Amélio Cayres e do senador eleito Alexandre Guimarães, além de lideranças municipais. Os organizadores projetam uma grande mobilização, mas a dimensão do evento só poderá ser avaliada após sua realização.

 

A movimentação mostra que Porto Nacional se tornou mais um território importante na disputa. Em uma eleição decidida voto a voto, as campanhas procuram demonstrar força nas ruas, reunir suas bases e convencer o eleitor de que têm condições de governar.

 

A ÚLTIMA SEMANA NÃO PERDOA ERROS

 

Dorinha conta com o apoio do governador, de Eduardo Gomes, de Carlos Gaguim e de uma ampla estrutura política. Vicentinho, por sua vez, tenta consolidar as adesões e transformar a expansão de sua aliança em vantagem nas urnas.

 

A campanha governista ainda tem tempo para reagir, mas precisa fazer mais do que reunir nomes conhecidos. Precisa organizar a comunicação, ouvir suas bases, apresentar propostas e mostrar ao eleitor por que sua candidatura merece a confiança para os próximos quatro anos.

 

A visita de Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira pode ser um reforço importante. Mas a carta final só terá valor se for bem jogada. No dia 25 de outubro, não serão as carreatas, os discursos ou as fotografias com lideranças nacionais que votarão. Serão os eleitores tocantinenses.

 

O tempo está acabando. A política não espera. E o eleitor dará a resposta nas urnas.

 

 

 

Última modificação em Segunda, 19 Outubro 2026 12:12
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