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Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro; parentes de Marcola também são alvos

Posted On Quinta, 21 Mai 2026 13:58
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Influenciadora digital foi alvo de ação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo

 

 

Por Robinson Cerantula

 

 

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). A investigação também mira familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da facção criminosa e que já cumpre pena no sistema prisional federal.

Segundo a investigação, o esquema envolvia uma transportadora de cargas de Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada pelos investigadores como braço financeiro do PCC. A apuração indica que empresas, contas bancárias e bens de alto valor eram usados para esconder a origem dos recursos e reinserir o dinheiro no sistema formal.

 

As investigações começaram em 2019, depois que a Polícia Penal apreendeu bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material citava integrantes da facção, ordens internas e possíveis ataques contra agentes públicos. Em um dos trechos, os investigadores encontraram referência a uma “mulher da transportadora”, que teria ajudado a levantar endereços de agentes públicos para possíveis ataques planejados pela organização criminosa.

 

A partir dessa referência, uma segunda fase da investigação chegou à empresa de transportes. Durante uma das operações na transportadora, a análise de um celular apreendido revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula da facção, além de indícios de movimentações financeiras envolvendo Deolane.

 

Segundo os investigadores, a influenciadora passou a ser alvo após a identificação de movimentações milionárias e incompatibilidades patrimoniais, além de relações pessoais e empresariais com pessoas ligadas ao esquema. A investigação aponta uso de estruturas empresariais e patrimônio de alto padrão para dificultar o rastreamento do dinheiro.

 

A operação também determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos, incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis ligados aos investigados.

 

De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, três investigados estão fora do país, na Itália, Espanha e Bolívia. Por isso, a polícia pediu a inclusão dos nomes na lista vermelha da Interpol para localização e possível prisão internacional.

 

Prisões de Deolane

 

Esta é a terceira vez que Deolane Bezerra é presa. Em setembro de 2024, a influenciadora foi detida ao lado da mãe, Solange Bezerra, durante a Operação Integration, que investigava um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e ocultação de bens ligados a jogos ilegais.

As duas foram soltas após uma decisão da Justiça de Pernambuco que também beneficiou outros investigados da operação.

 

Na ocasião, Deolane chegou a deixar a prisão para cumprir prisão domiciliar, mas voltou ao presídio no dia seguinte após descumprir medidas impostas pela Justiça para manter o benefício. Na segunda detenção, que durou 14 dias, a influenciadora foi encaminhada para a Colônia Penal Feminina de Buíque, no interior de Pernambuco.

 

Em abril deste ano, Deolane passou a ser investigada por suspeita de participação em outro esquema de lavagem de dinheiro que envolveu os funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan SP.

 

O SBT News tenta contato com a defesa de Deolane, mas, até o momento, sem sucesso. O espaço segue aberto.

 

A irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, se manifestou através das redes sociais. Segundo ela, “mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos”.

 

Ela completou: “Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”

 

 

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