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“Crédito não é dívida, é alavancagem”, afirma Eliane Moreira

Posted On Terça, 22 Setembro 2026 08:29
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Especialista analisa o endividamento das famílias tocantinenses, defende educação financeira e explica por que aceitou participar da política como segunda suplente de Eli Borges

 

 

Da Redação

 

 

Conhecida como a “Rainha do Crédito”, Eliane Moreira construiu uma trajetória marcada pelo empreendedorismo, pela superação e pela defesa da educação financeira. Mineira de origem e tocantinense de coração, vive há 26 anos no estado e acumula mais de duas décadas de atuação no mercado de trabalho, sendo 16 anos dedicados à área de crédito. Nesse período, participou da intermediação de quase meio bilhão de reais e ajudou centenas de pessoas e empresas a reorganizarem as finanças e acessarem recursos.

 

Formada em Administração e pós-graduada em Pedagogia Empresarial, Eliane começou a empreender fazendo unhas e, ao longo dos anos, atuou como correspondente bancária da Caixa Econômica Federal, consultora empresarial, coordenadora do Sistema Nacional de Emprego (Sine), integrante de iniciativas de economia solidária e incentivadora de diferentes grupos produtivos. Também ajudou a criar a Feira da Beleza do Tocantins e, atualmente, ocupa o cargo de diretora da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa).

 

Criadora do método e do Programa Vira o Jogo, Eliane defende que o crédito, quando utilizado de forma planejada, pode impulsionar negócios e transformar vidas. Em entrevista ao O Paralelo 13, ela falou sobre o endividamento das famílias tocantinenses, os impactos da inadimplência sobre a saúde emocional, a importância da qualificação dos empreendedores e as razões que a levaram a aceitar o convite para participar da política como segunda suplente de Eli Borges.

 

 

 

O Paralelo 13 – Como a senhora avalia a atual situação econômica das famílias tocantinenses?

 

Eliane Moreira – É uma situação muito preocupante. Nunca estivemos em um nível de endividamento tão elevado como o que vivemos atualmente. E esse problema não está restrito às famílias: alcança as empresas, o agronegócio e praticamente todos os setores da economia. Hoje é difícil encontrar uma atividade que não esteja enfrentando algum grau de endividamento.

 

No Tocantins, os índices são alarmantes. Temos cerca de 82,7% das famílias endividadas, percentual superior à média nacional, que está em aproximadamente 81,6%. Além disso, 31% das famílias tocantinenses possuem contas em atraso, diante de uma média nacional de 29,9%. Esses números mostram que estamos diante de um cenário que exige atenção e medidas concretas.

 

O Paralelo 13 – Muito se fala sobre o endividamento dos servidores públicos. O problema vai além dessa categoria?

 

Eliane Moreira – Sem dúvida. O servidor público também é empresário, consumidor e integrante de uma família. Por isso, precisamos analisar o endividamento dentro de um contexto mais amplo. O problema afeta servidores, trabalhadores com carteira assinada, autônomos, pequenos empreendedores e produtores rurais.

 

Quando a pessoa abre um aplicativo e descobre que está com o nome negativado, a primeira pergunta é: “Como vou sair disso?”. Essa situação afeta diretamente a saúde emocional. Perder o poder de compra e o acesso ao crédito provoca angústia, insegurança e sentimento de incapacidade.

 

Além disso, há um impacto sobre toda a economia. Se uma pessoa não consegue comprar, outra não consegue vender. A atividade econômica perde força e o problema se transforma em um ciclo vicioso. Por isso, o endividamento no Tocantins é uma questão extremamente séria e preocupante.

 

 

 

O Paralelo 13 – Qual é o primeiro passo para quem pretende abrir um negócio ou buscar crédito?

 

Eliane Moreira – O principal conselho é buscar conhecimento. Uma informação pode mudar completamente uma situação e evitar grandes problemas no futuro. Antes de abrir um negócio ou contratar um crédito, é importante conversar com especialistas e procurar instituições de apoio, como o Sebrae e as entidades que integram o Sistema S.

 

Mas também precisamos compreender que existe o ideal e existe o possível. Muitos empreendimentos nascem de uma necessidade e vão crescendo aos poucos. Foi assim comigo. Comecei fazendo unhas e busquei um pequeno crédito para comprar os materiais. Depois, sonhei em ter um salão e precisei novamente de crédito. Em determinado momento, a pessoa pode querer ampliar o negócio sem estar preparada ou sem ter recebido a orientação adequada.

 

O brasileiro é resiliente e criativo. Nunca tivemos tantas modalidades e possibilidades de acesso ao crédito. O crédito existe; o desafio é acessá-lo da maneira correta, no momento adequado e com planejamento. É isso que reduz os riscos.

 

O Paralelo 13 – Como sua própria trajetória influencia o trabalho de orientação a empresários e empreendedores?

 

Eliane Moreira – Tudo o que ensino não vem apenas da teoria. Sou formada em Administração, tenho pós-graduação em Pedagogia Empresarial e uma longa experiência profissional, mas também vivi cada uma dessas etapas. Já fui coordenadora do Sine em Minas Gerais, participei do Fórum de Economia Solidária, trabalhei com qualificação para o primeiro emprego, com mulheres fiandeiras, bordadeiras, profissionais da beleza e empresários de diferentes áreas.

 

Também enfrentei dificuldades, quebrei algumas vezes e tive o nome negativado. Não existe hipocrisia no meu trabalho. Eu conheço a dor de quem está endividado e sei como é precisar reconstruir a vida financeira. É justamente por ter vivido essas situações que consigo ajudar outras pessoas a encontrarem um caminho.

 

Ao longo de aproximadamente 16 anos na área de crédito, participei da intermediação de quase meio bilhão de reais. Durante muitos anos, fui correspondente bancária da Caixa Econômica Federal e acompanhei centenas de pessoas realizando o sonho da casa própria. Conheço os dois lados da mesa: o das instituições e o de quem precisa do recurso.

 

O Paralelo 13 – A senhora costuma afirmar que “crédito não é dívida, é alavancagem”. O que isso significa?

 

 

 

Eliane Moreira – Significa que o crédito não deve ser visto automaticamente como um problema. Quando é contratado de forma consciente e utilizado para uma finalidade adequada, ele pode ajudar uma pessoa ou uma empresa a crescer. O problema não é o crédito em si, mas a falta de orientação, planejamento e conhecimento para utilizá-lo.

 

Eu sou apaixonada por esse tema e pretendo, inclusive, escrever um livro com esse título: “Crédito não é dívida, é alavancagem”. Quero ensinar as pessoas a compreenderem o funcionamento do crédito, renegociarem suas dívidas, recuperarem a credibilidade e utilizarem os recursos disponíveis como ferramentas de prosperidade.

 

O Paralelo 13 – Como funciona o curso oferecido pela senhora para mulheres empreendedoras?

 

Eliane Moreira – É um trabalho permanente de educação e preparação para o acesso ao crédito. Desenvolvi um protocolo dividido em três etapas. Na primeira, trabalhamos um ecossistema que não trata apenas de dinheiro. Abordamos autoestima, aspectos jurídicos, contabilidade e posicionamento profissional.

 

Na segunda etapa, entramos na parte prática, com gestão financeira, fluxo de caixa e finanças pessoais. Também inserimos conhecimentos sobre inteligência artificial, porque essa tecnologia está presente na rotina das empresas e pode ser usada para melhorar a gestão.

 

Na terceira etapa, ensinamos as empreendedoras a organizarem a documentação necessária para apresentar ao banco. Quando uma pessoa chega despreparada, transmite desorganização. E crédito não é apenas dinheiro; crédito é confiança. A instituição precisa acreditar que aquele empreendedor possui condições de assumir e cumprir o compromisso.

 

Preparamos essas mulheres desde o cuidado diário com a empresa até o momento de solicitar o recurso. Mesmo com muitos serviços bancários disponíveis pelo celular, ainda existem situações em que é necessário conversar com o gerente, apresentar o negócio e demonstrar segurança. Independentemente do tamanho da empresa, o empreendedor precisa transmitir credibilidade.

 

O Paralelo 13 – O que representa o Programa Vira o Jogo?

 

Eliane Moreira – O Vira o Jogo nasceu da vontade de transformar conhecimento em oportunidade. É uma escola de mudanças de vida e de negócios. Por meio do Centro de Formação Vira o Jogo, em Palmas, capacitamos e inspiramos pessoas em diferentes áreas, mostrando que o conhecimento é o maior investimento que alguém pode fazer.

 

O projeto também reúne minha experiência com educação, crédito, empreendedorismo e trabalho social. Sempre estive envolvida com iniciativas voltadas à qualificação, especialmente de mulheres e pequenos empreendedores. Acredito que, quando uma pessoa recebe a orientação certa, ela passa a enxergar possibilidades onde antes via apenas dificuldades.

 

O Paralelo 13 – Por que a senhora aceitou participar da política como segunda suplente de Eli Borges?

 

Eliane Moreira – Por indignação. Estou indignada com a situação do mercado de crédito. E quem está indignado precisa ter voz. Neste momento, entendi que essa voz também precisa chegar à política, porque somente por meio de políticas públicas será possível enfrentar a burocracia, as altas taxas de juros e as dificuldades de acesso ao crédito.

 

Nunca havia participado diretamente da política, mas percebi que, se quero mudanças, preciso ocupar esse espaço e apresentar minhas opiniões. Aceitei caminhar com Eli Borges porque reconheço sua trajetória e acredito que ele possui credibilidade junto à população tocantinense. É uma pessoa que abre espaço para as mulheres, para os empresários, para os produtores rurais e para diferentes setores da sociedade.

 

O Paralelo 13 – De que maneira o acesso ao crédito também se relaciona com as políticas de proteção às mulheres?

 

Eliane Moreira – Existe uma relação muito forte entre crédito, autonomia financeira, mulheres e política. A falta de dinheiro dentro de casa pode agravar conflitos familiares e situações de violência doméstica. Muitas mulheres permanecem em ambientes abusivos porque não possuem renda ou condições financeiras para manter a si mesmas e aos filhos.

 

As dificuldades financeiras também deixam crianças mais vulneráveis e comprometem a saúde emocional de toda a família. Não estou dizendo que o crédito resolverá sozinho esses problemas, mas a independência financeira e a geração de oportunidades podem ajudar muitas pessoas a mudarem de vida.

 

Não pretendo ser a salvadora da pátria. Quero ter voz e levar para o debate político aquilo que acontece na ponta e que, muitas vezes, ninguém vê. Eu conheço a dor de quem não consegue crédito e também de quem está preso às dívidas. É essa experiência que quero colocar a serviço do Tocantins.

 

O Paralelo 13 – Qual será sua principal bandeira nesse novo caminho?

 

Eliane Moreira – Minha bandeira será a democratização do acesso ao crédito, acompanhada de educação financeira e condições mais justas para quem produz. Empresários, agricultores, mulheres, famílias e trabalhadores possuem algo em comum: todos dependem, em algum momento, de recursos disponibilizados por instituições financeiras. Esses recursos estão caros e difíceis de acessar, enquanto o endividamento cresce.

 

A política precisa olhar para quem está na ponta. Foi por isso que aceitei caminhar com Eli Borges: para levar ao Congresso Nacional a realidade de quem empreende, gera empregos, sustenta a família e precisa de oportunidades para continuar avançando.

 

Uma trajetória construída com coragem

 

Da moradora de um barraco em Itabira, Minas Gerais, à empresária conhecida como “Rainha do Crédito”, Eliane Moreira transformou as dificuldades da própria história em instrumentos para orientar outras pessoas. Sua trajetória reúne experiências com empreendedorismo, educação, projetos sociais, consultoria e mercado financeiro.

 

Agora, ao ingressar na política, ela pretende ampliar esse trabalho e contribuir para a construção de políticas públicas voltadas ao acesso consciente ao crédito, à educação financeira e ao fortalecimento dos pequenos negócios. Para Eliane, prosperidade não é resultado de sorte, mas da união entre conhecimento, coragem, planejamento e oportunidade.

 

 

 

 

Última modificação em Terça, 22 Setembro 2026 08:48
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