Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O Observatório Político de O Paralelo 13 registra, com lupa e sem filtro, um cenário que começa a se consolidar nos bastidores da sucessão estadual, pois enquanto a oposição organiza discurso, agenda e palanque, a base governista se perde em disputas internas, vaidades e ruídos que já ultrapassaram os corredores palacianos.
O grupo liderado pelo governador Wanderlei Barbosa enfrenta um problema que não é novo, mas que agora se torna visível e perigoso: falta unidade. Mais do que divergências naturais, o que se vê é fogo amigo. Falta maturidade política, sobra ego. E, nesse jogo, quem perde não é só o grupo, é a imagem de governabilidade.
ARTICULAÇÃO EM DISPUTA
Em quatro décadas de atuação política, raras vezes se viu uma eleição com tanto recurso em circulação. Fundos partidários robustos, emendas impositivas milionárias e estruturas individuais cada vez mais poderosas transformam o pleito de 2026 em um campo de força econômica sem precedentes.
Mas dinheiro, como se sabe, não compra coesão. E foi justamente nesse vácuo que a oposição avançou.
OPOSIÇÃO MOSTRA ORGANIZAÇÃO E DÁ RECADO
Na última segunda-feira, a oposição deu uma demonstração clara de articulação ao reunir imprensa e lideranças em Palmas, em evento liderado pelo vice-governador Laurez Moreira e pelo senador Irajá Silvestre.
O encontro serviu para consolidar movimentos estratégicos, entre eles o lançamento do ex-governador Mauro Carlesse como pré-candidato ao Senado.
Carlesse, em tom populista e direto, disparou: “Não adianta ter um Palácio rico e um povo pobre.” A fala ecoa um discurso que tenta reconectar o eleitor com a narrativa municipalista e, ao mesmo tempo, atingir o coração da atual gestão.
VICENTINHO CRESCE NO INTERIOR
Outro movimento que chama atenção é o avanço do pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior. Ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, Vicentinho tem construído uma agenda ativa no interior do estado, apostando no contato direto com a população.
Nos municípios por onde passa, o que se observa é a tentativa de consolidar uma imagem de unidade e proximidade algo que hoje falta à base governista.
CINTHIA FICA E VIRA PEÇA-CHAVE NO XADREZ POLÍTICO
A decisão da ex-prefeita de Palmas Cinthia Ribeiro de permanecer no PSDB não é um movimento isolado. É, na prática, um reposicionamento estratégico.
“Ficar é uma decisão de coerência. Política não é lugar de recuar, é de enfrentar. Vou seguir no PSDB defendendo minhas convicções e ajudando a construir soluções de dentro para fora”, disse a ex-prefeita ao anunciar sua permanência.
Nos bastidores, sua continuidade fortalece o partido e abre possibilidades concretas: fala-se tanto em uma eventual pré-candidatura ao Senado quanto a uma disputa por vaga na Câmara Federal. Cinthia não apenas permanece, ela se reposiciona como ativo político relevante em um cenário ainda em formação.
BASE DESORGANIZADA, OPOSIÇÃO EM RITMO DE CAMPANHA
O contraste é evidente. De um lado, uma oposição que começa a alinhar discurso, nomes e estratégia. De outro, uma base governista que ainda não conseguiu resolver suas próprias contradições internas.
Se não houver recomposição rápida, o grupo palaciano corre o risco de entrar na disputa de 2026 dividido e divisão, em política, cobra preço alto.
O TEMPO VIROU VARIÁVEL DECISIVA
A eleição ainda não começou oficialmente, mas o jogo já está em andamento. E, neste momento, o que se vê é uma inversão perigosa pois quem deveria liderar o processo político está reagindo, enquanto quem estava atrás começa a ditar o ritmo.
Na política, não vence apenas quem tem mais recursos, vence quem sabe usá-los com estratégia, unidade e timing. E isso, por enquanto, a oposição parece ter entendido melhor.
A SENADORA DORINHA SEABRA PRÉ-CANDIDATA A GOVERNADORA
A senadora Professora Dorinha Seabra surge como uma das peças centrais no tabuleiro político tocantinense. Sua pré-candidatura ao governo do estado conta com uma base de apoio robusta e diversificada. O governador mais popular da história do Tocantins, com mais de 86% de aprovação, coloca à disposição um caixa bilionário para investimentos em saúde, infraestrutura e pavimentação de novas rodovias.
Além disso, o prefeito da capital, Eduardo Siqueira, promete transformar Palmas, após o período chuvoso, no maior canteiro de obras do Norte do Brasil. Somente do Banco do Brasil já estão assegurados mais de trezentos milhões em caixa, somados a outros milhões oriundos de emendas impositivas.
Dorinha reúne apoio de mais de cem prefeitos, incluindo os cinco maiores colégios eleitorais do estado. Sua trajetória política é marcada por conquistas expressivas: professora em Arraias, ex-secretária de Educação de Palmas e do Estado, deputada federal e senadora. Esse histórico lhe confere credibilidade e legitimidade como candidata com chances reais de vitória.
BOMBA A SER DESATIVADA POR DORINHA
Apesar da força política, Dorinha enfrenta um desafio delicado: a tentativa de convencer o deputado Carlos Gaguim a desistir de sua pré-candidatura ao Senado. Gaguim constrói esse projeto há mais de dois anos e sua retirada pode gerar fissuras internas, contaminando a unidade necessária para sustentar uma candidatura majoritária competitiva. Se não houver habilidade política para desarmar essa bomba, o risco de fraturas no grupo é real.
A CHEGADA DE ELI BORGES NO GRUPO PALACIANO PROVOCA RUÍDOS

Outro ponto de tensão é a entrada do pastor e deputado Eli Borges na base governista. Com forte representação religiosa em Palmas e trajetória consolidada como vereador, deputado estadual e federal, Eli Borges chega em um cenário onde as duas vagas ao Senado já possuem postulantes de peso: o senador Eduardo Gomes, atual vice-presidente do Senado e líder na liberação de recursos bilionários para o estado, e o ex-governador Carlos Gaguim, que também tem legitimidade e histórico político consistente.
Senador Eduardo Gomes
A presença de Eli Borges, embora relevante, cria ruídos e disputas internas. Sua reeleição como deputado federal é praticamente garantida, mas sua insistência em disputar o Senado pode acirrar divisões. Nesse contexto, caberá à senadora Dorinha exercer sua capacidade de articulação para transformar Borges em um aliado estratégico, convencendo-o a abrir mão da vaga em nome da unidade da base governista.
ANÁLISE ESTRATÉGICA DA PRÉ-CANDIDATURA DE DORINHA SEABRA
Oportunidades
* Base de apoio sólida: Dorinha conta com respaldo de mais de cem prefeitos, incluindo os cinco maiores colégios eleitorais, além do governador com altíssima aprovação e o prefeito da capital. Isso garante capilaridade política e institucional.
* Recursos financeiros e estruturais: Um caixa bilionário destinado a obras de infraestrutura, saúde e rodovias, somado a investimentos já assegurados em Palmas, cria um ambiente favorável para mostrar resultados concretos antes da eleição.
* Histórico político consistente: Sua trajetória como professora, secretária de Educação, deputada federal e senadora reforça credibilidade e experiência administrativa, atributos valorizados pelo eleitorado.
* Narrativa de unidade e renovação: Dorinha pode se posicionar como a candidata capaz de reorganizar a base governista e oferecer estabilidade frente às divisões internas.
Riscos
* Disputa pelo Senado: A resistência de Carlos Gaguim em abrir mão de sua pré-candidatura pode gerar fissuras internas e comprometer a coesão da base.
* Ruídos com Eli Borges: A entrada do pastor Eli Borges, com forte representação religiosa, cria sobreposição de interesses nas vagas ao Senado. Se não houver articulação, o risco é de fragmentação e desgaste público.
* Vaidades e egos na base: O histórico recente da base governista mostra dificuldades em lidar com disputas internas. Se Dorinha não conseguir harmonizar esses conflitos, sua candidatura pode ser enfraquecida.
* Tempo como variável crítica: A oposição já está em ritmo de campanha. Qualquer demora na consolidação da candidatura governista pode dar vantagem estratégica aos adversários.
Estratégias Recomendadas
CONCLUSÃO
Dorinha Seabra tem musculatura política e institucional para se consolidar como candidata competitiva ao governo do Tocantins em 2026. No entanto, sua vitória dependerá menos da força de recursos e mais da capacidade de articulação interna. Se conseguir desarmar as bombas políticas representadas por Gaguim e Eli Borges, poderá transformar a base governista em um bloco coeso e competitivo. Caso contrário, corre o risco de repetir os erros recentes da base e abrir espaço para uma oposição cada vez mais organizada.