Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O Observatório Político de O Paralelo 13 acompanha diariamente os movimentos da sucessão estadual de 2026 e uma conclusão começa a ganhar força nos bastidores da política tocantinense: a senadora Professora Dorinha Seabra chega a este momento da pré-campanha ocupando uma posição privilegiada, mas essa mesma vantagem traz uma obrigação estratégica fundamental.
Se quiser transformar a ampla estrutura política que hoje a sustenta em vitória eleitoral, Dorinha precisará construir uma candidatura capaz de liquidar a disputa ainda no primeiro turno.
A lógica é simples.
Quanto maior a coalizão política reunida em torno de uma candidatura, maior também é a expectativa de resultado. E poucas vezes na história recente do Tocantins uma pré-candidatura ao Governo do Estado reuniu tantos fatores favoráveis antes mesmo do início oficial da campanha.

Dorinha conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, principal liderança política do Estado na atualidade. Tem ao seu lado o vice-presidente do Senado Federal, senador Eduardo Gomes, um dos políticos mais influentes de Brasília e responsável por uma forte articulação municipalista ao longo dos últimos anos.
Além disso, reúne o apoio do chamado G-5 dos prefeitos dos maiores colégios eleitorais do Tocantins: Eduardo Siqueira Campos, em Palmas; Wagner Rodrigues, em Araguaína; Josi Nunes, em Gurupi; Ronivon Maciel, em Porto Nacional; e Celso Morais, em Paraíso do Tocantins.
Somam-se a esse grupo mais de uma centena de prefeitos, centenas de vereadores, ex-prefeitos, lideranças comunitárias, presidentes de partidos e uma robusta estrutura de pré-candidatos às eleições proporcionais.

Sob qualquer análise política, trata-se de uma base extremamente competitiva.
Mas a política raramente é uma ciência exata. E é justamente aí que surge o principal desafio da senadora.
A FORÇA DA BASE GERA RESPONSABILIDADE
Na avaliação do Observatório Político de O Paralelo 13, o atual momento da pré-candidatura governista produz uma situação peculiar.
Se por um lado a ampla rede de apoios oferece condições privilegiadas para a construção de uma campanha forte, por outro reduz significativamente a margem para justificativas em caso de dificuldades eleitorais futuras.
Quando uma candidatura reúne governo estadual, principais prefeitos, parlamentares influentes, estrutura partidária consolidada e presença em praticamente todas as regiões do Estado, o objetivo natural passa a ser a vitória.
E mais do que isso: uma vitória consistente. É justamente por essa razão que cresce entre observadores políticos a avaliação de que o verdadeiro objetivo estratégico do grupo palaciano deve ser evitar que a eleição avance para um segundo turno.
EVITAR O SEGUNDO TURNO É FUNDAMENTAL
Há um fator que precisa ser considerado pelos estrategistas governistas.
Caso a eleição avance para um segundo turno, a realidade política será completamente diferente daquela vivida hoje.
O governo Wanderlei Barbosa estará entrando nos últimos meses de gestão. O Diário Oficial já não terá o mesmo peso político. Secretarias estarão operando dentro das limitações naturais de fim de mandato. Muitos aliados derrotados nas eleições proporcionais poderão estar desmobilizados ou frustrados com seus próprios resultados eleitorais.
Além disso, recursos partidários que hoje ajudam a movimentar campanhas tendem a ser direcionados para prioridades nacionais. Em um estado de menor peso eleitoral como o Tocantins, dificilmente os grandes partidos continuarão investindo na mesma intensidade após o primeiro turno.
Por isso, cresce dentro da base governista a convicção de que resolver a disputa logo na primeira etapa seria o cenário ideal.
O SEGUNDO TURNO MUDA AS REGRAS
A história eleitoral brasileira demonstra que eleições decididas em segundo turno obedecem a uma lógica completamente diferente.
No primeiro turno, os candidatos defendem seus próprios projetos e disputam seus espaços políticos.
No segundo turno, antigos adversários tornam-se aliados. Lideranças reorganizam estratégias. Partidos mudam de posição. E boa parte do eleitorado passa a votar não por afinidade, mas por rejeição ao adversário.
É justamente esse cenário que qualquer candidatura favorita procura evitar.
A OPOSIÇÃO SEGUE FRAGMENTADA
Neste momento, o maior aliado de Dorinha talvez não esteja dentro do grupo governista. Pode estar na própria oposição.
Os principais nomes que hoje aparecem como alternativas ao projeto palaciano seguem construindo caminhos independentes.
O vice-governador Laurez Moreira trabalha sua pré-candidatura buscando consolidar um campo político próprio.
O deputado federal Vicentinho Júnior, ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, e do deputado Alexandre Guimarães, fortalece sua presença no interior e amplia seu espaço político.
O senador Ataídes Oliveira também se movimenta no cenário estadual.
Até aqui, não existe um projeto oposicionista unificado. Existem vários projetos. E isso interessa diretamente ao grupo governista.
O DESAFIO DE LAUREZ MOREIRA

Entre os nomes da oposição, talvez nenhum enfrente desafio tão complexo quanto Laurez Moreira.
Sua condição de vice-governador lhe oferece experiência administrativa e conhecimento da máquina pública.
Por outro lado, exige a construção de uma identidade própria diante do eleitorado.
Caso avance uma composição com o Partido dos Trabalhadores, essa aliança precisará ser acompanhada de compromissos concretos com o Tocantins.
Não bastará apenas unir partidos. Será necessário apresentar resultados, investimentos e compromissos capazes de convencer o eleitorado tocantinense.
VICENTINHO SEGUE CONSTRUINDO ESPAÇO

Enquanto parte da oposição ainda busca definições, o grupo liderado por Vicentinho Júnior mantém uma estratégia de presença constante no interior.
Ao lado de Amélio Cayres e Alexandre Guimarães, Vicentinho procura consolidar uma imagem de alternativa administrativa e política para o Estado.
O deputado possui discurso definido, base eleitoral própria e capacidade de mobilização.
Ainda assim, enfrenta o desafio comum a toda oposição: transformar presença política em musculatura eleitoral suficiente para ameaçar a candidatura favorita.
O FATOR WANDERLEI BARBOSA

Se existe um elemento capaz de alterar significativamente os rumos da sucessão estadual, esse elemento atende pelo nome de Wanderlei Barbosa.
Até agora, o governador permanece concentrado na agenda administrativa.
Inaugura obras, entrega benefícios, anuncia investimentos e mantém contato permanente com prefeitos e lideranças regionais.
Mas ainda não entrou de corpo e alma na campanha eleitoral.
Quando isso acontecer, a dinâmica da disputa poderá mudar consideravelmente.
Poucos políticos tocantinenses possuem atualmente o nível de aprovação, capilaridade e articulação construídos por Wanderlei ao longo dos últimos anos.
EDUARDO GOMES E A ARTICULAÇÃO MUNICIPALISTA

Outro ativo fundamental da candidatura de Dorinha é a presença do vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes.
Sua influência em Brasília, somada ao relacionamento construído com prefeitos e lideranças municipais, transformou o senador em uma das principais peças do projeto político governista.
Não por acaso, muitos prefeitos identificam em Eduardo Gomes uma ponte importante entre os municípios tocantinenses e os recursos federais.
PREFEITO SOMA, MAS QUEM VOTA É O POVO

A candidatura de Dorinha possui forte sustentação municipalista.
Mas o Observatório Político de O Paralelo 13 faz uma observação importante. Prefeito soma. Vereador ajuda. Lideranças influenciam.
Mas quem vota é o eleitor.
Ter mais de cem prefeitos apoiando uma candidatura representa força política, porém não significa vitória automática.
O voto continua sendo individual, secreto e decidido pelo cidadão no momento em que entra na cabine eleitoral.
HÁ MUITO POR ACONTECER

Muitos agentes políticos parecem agir como se a eleição estivesse entrando na reta final.
Mas a realidade é outra.
O jogo oficial sequer começou.
Convenções ainda acontecerão. Alianças poderão mudar. Candidaturas poderão surgir ou desaparecer.
Existem processos investigativos já concluídos e outros em fase de conclusão envolvendo instâncias como Polícia Federal, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal.
Qualquer decisão judicial relevante, qualquer fato político novo ou qualquer movimento precipitado poderá alterar completamente o ambiente hoje vivido pela sucessão estadual.
Uma fala equivocada, uma denúncia, uma operação policial ou uma decisão judicial podem produzir efeitos eleitorais profundos.
Senador Eduardo Gomes e deputado federal Carlos Gaguim , postulates ao Senador
Por isso, prudência passa a ser palavra obrigatória para todos os atores do processo sucessório.
Não basta possuir mais de cem prefeitos apoiando sua candidatura. Não basta contar com o maior fundo partidário, o maior tempo de rádio e televisão, o apoio do governador, do vice-presidente do Senado, dos principais prefeitos do Estado e de uma das trajetórias mais respeitadas da política tocantinense e nacional.
Para vencer no primeiro turno, a senadora Professora Dorinha precisará alcançar mais de 50% dos votos válidos. Essa é a única matemática capaz de transformar favoritismo político em vitória definitiva.
Caso isso aconteça, poderá nocautear as oposições ainda na primeira etapa da disputa.
Caso contrário, enfrentará uma nova eleição no segundo turno, com novas alianças, novos acordos e novas dificuldades.
E é exatamente por isso que, nos bastidores do Palácio Araguaia, cresce a convicção de que vencer no primeiro turno não é apenas um objetivo.
É uma necessidade estratégica.
O tabuleiro permanece aberto.
E o tempo, como sempre, dará a resposta.
Estamos de olho.