OLHO NO OLHO Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues Em ano eleitoral, uma notícia pode ganhar novos contornos quando sai das páginas dos veículos de comunicação e passa a circular nas redes sociais, nos grupos políticos e nas mãos de adversários. Foi exatamente isso que aconteceu, nesta segunda-feira, 17, depois que o UOL publicou reportagem sobre a Operação Overclean, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção, fraude em licitações, desvio de recursos públicos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A reportagem informa que a Polícia Federal indiciou 25 pessoas entre empresários e agentes públicos. O UOL também informa que há deputados federais sendo investigados no âmbito da operação, mas que eles não foram incluídos entre os 25 indiciados nesta etapa. É justamente neste ponto que começa a diferença entre fato, investigação e narrativa política. O nome do deputado federal Vicentinho Júnior, candidato ao Governo do Tocantins, aparece relacionado à investigação. Isso não pode ser escondido, apagado ou tratado como se não existisse. Existe uma investigação, e o próprio histórico do caso demonstra que o nome do parlamentar foi submetido à análise das autoridades. Mas também é preciso dizer aquilo que até o momento, Vicentinho Júnior não está entre os indiciados pela Polícia Federal. Existe uma investigação envolvendo o parlamentar, e o caso permanece no âmbito do Supremo Tribunal Federal. A NARRATIVA DA OPOSIÇÃO A oposição política a Vicentinho Júnior passou a utilizar a reportagem do UOL para fazer circular a associação do nome do deputado à Operação. É legítimo que adversários políticos questionem um candidato, que levantem dúvidas e cobrem explicações. O que não pode acontecer é transformar uma investigação em uma condenação antecipada. Uma pessoa investigada não é automaticamente culpada. Uma pessoa indiciada também não é automaticamente condenada. E uma pessoa que sequer foi indiciada não pode ser apresentada ao eleitor como se tivesse recebido uma condenação judicial. É preciso separar as palavras. Investigado é investigado. Indiciado é indiciado. Denunciado é denunciado. Condenado é condenado. São etapas completamente diferentes dentro de uma investigação e de um processo judicial. O QUE DIZ A DEFESA DE VICENTINHO Diante da repercussão da reportagem, a assessoria de comunicação do deputado divulgou nota afirmando que não existe fato novo envolvendo Vicentinho Júnior e que ele não está entre as 25 pessoas indiciadas pela Polícia Federal. Segundo a nota divulgada pela assessoria, em decisão de outubro de 2025, o ministro registrou que os elementos então apresentados não demonstravam conexão suficiente entre determinadas transferências e as fraudes investigadas, e o pedido de busca e apreensão contra o deputado foi negado. É importante registrar que essa é a versão apresentada pela defesa e que a existência de uma decisão desfavorável a uma medida cautelar não significa, por si só, arquivamento da investigação. O próprio histórico público da Operação Overclean mostra que o caso continuou produzindo diligências e permanece sob análise das instituições responsáveis. O PARALELO 13 NÃO SERÁ TRIBUNAL A Família O Paralelo 13 não pretende ser tribunal. Não somos Ministério Público, Polícia Federal ou Supremo Tribunal Federal. E não somos nós que devemos decidir quem é culpado ou inocente. Nossa responsabilidade é informar, questionar, investigar jornalisticamente, confrontar versões e acompanhar os fatos. Se amanhã houver uma nova decisão do Supremo Tribunal Federal, publicaremos. Se houver manifestação da Procuradoria-Geral da República, publicaremos. Se a Polícia Federal apresentar novos elementos eles serão divulgados. O nosso compromisso é com a informação e com o direito do leitor de conhecer os fatos. Também não acreditamos que uma candidatura majoritária possa passar por uma eleição sem ser questionada sobre fatos públicos relacionados à sua trajetória. Vicentinho Júnior é candidato a um dos cargos mais importantes da política tocantinense. Pretende governar um Estado com enormes desafios nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, segurança, desenvolvimento econômico e geração de empregos. Por isso, deve ser questionado. Assim como devem ser questionados todos os demais candidatos. Quem quer governar o Tocantins precisa estar preparado para responder perguntas difíceis. Isso faz parte da democracia! O que não pode existir é julgamento antecipado. O eleitor precisa receber informação suficiente para formar sua própria opinião. O episódio da Operação Overclean deixa uma lição importante para o processo eleitoral de 2026. Em tempos de redes sociais, muitas vezes a manchete chega antes da leitura da matéria. O nome de um político aparece em uma reportagem e, minutos depois, já surge uma nova narrativa política. Uma investigação vira “escândalo”. E, quando a informação chega ao eleitor, muitas vezes todas as etapas do processo foram apagadas. O jornalismo não pode participar desse processo de distorção. É preciso voltar ao básico. Existe decisão judicial? VICENTINHO PRECISA RESPONDER Da mesma forma que o jornalismo não pode condenar antecipadamente, também não pode impedir o questionamento a um candidato. Vicentinho Júnior precisa ter espaço para explicar aos eleitores sua relação com os fatos investigados. Precisa responder às dúvidas que surgirem. Apresentar sua versão. E os eleitores precisam ter acesso tanto às acusações quanto às explicações. Esse é o verdadeiro contraditório. Não interessa ao Tocantins uma eleição baseada apenas em acusações de um lado ou em negativas do outro. Interessa uma eleição em que os fatos sejam colocados sobre a mesa. O PARALELO 13 VAI ACOMPANHAR A Operação Overclean não termina com a reportagem publicada nesta segunda-feira. Enquanto houver investigação, haverá acompanhamento. Estaremos atentos. Mas faremos isso sem transformar investigação em condenação e sem transformar defesa em verdade absoluta. O nosso compromisso é exatamente esse. A verdade precisa aparecer no curso dos fatos e das decisões das instituições competentes. Em uma eleição para governar o Tocantins, o eleitor merece conhecer os fatos. E merece, acima de tudo, ter o direito de decidir.